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Gestão de Pessoas: transforme custo em estratégia na sua PME

Você já parou para pensar por que algumas pequenas empresas conseguem reter seus melhores talentos, enquanto outras vivem em constante rotatividade? A resposta pode estar mais próxima do que parece: no investimento em práticas de desenvolvimento humano organizacional (DHO).


No Brasil, 99% dos estabelecimentos são formados por micro e pequenas empresas, responsáveis Gestão de Pessoas: quando custo se transforma em estratégiapor 52% dos empregos com carteira assinada [1]. Mas aqui está um dado que poucos conhecem: empresas que promovem o desenvolvimento humano apresentam 37% menos rotatividade e 25% mais produtividade.


Aqui na Alure Consultoria, temos acompanhado de perto os desafios enfrentados por pequenas e médias empresas em Santa Catarina, um estado com forte presença de negócios familiares, indústrias de médio porte e startups em expansão. É muito comum encontrarmos gestores que reconhecem a importância de cuidar das pessoas, mas que ainda veem o DHO como algo distante, complexo ou exclusivo de grandes corporações. Em uma das empresas que atendemos, por exemplo, apenas o mapeamento de competências e a construção de um plano de desenvolvimento individual foram primordiais para reduzir conflitos internos e aumentar a autonomia da equipe.


Como psicóloga especializada em DHO e com mais de 8 anos de experiência apoiando pequenas e médias empresas catarinenses, posso afirmar: não existe empresa pequena demais para investir em pessoas.


O que muitos empresários ainda não percebem é que o DHO não é um "luxo" reservado para grandes corporações. Na verdade, pequenas e médias empresas têm vantagens únicas para implementar práticas de desenvolvimento humano que grandes organizações só sonham em alcançar.


Neste artigo, vamos desmistificar o DHO e mostrar como você pode começar a implementá-lo na sua empresa de forma simples, sem grandes investimentos e com resultados práticos já no primeiro mês.



O que é DHO e por que sua PME precisa dele


DHO é a sigla para Desenvolvimento Humano Organizacional. Em termos simples, é o conjunto de práticas que fazem sua empresa cuidar das pessoas de forma estratégica, não apenas operacional.


Tradicionalmente, o setor de Recursos Humanos era voltado a funções administrativas: contratar, demitir, calcular salários [3]. O DHO vai além. Ele reconhece que os colaboradores são o ativo mais importante do negócio e, por isso, merecem atenção, estrutura e investimento contínuo no seu desenvolvimento.


Para ilustrar o impacto estratégico do DHO, trazemos um exemplo real de uma indústria com cerca de 700 colaboradores que enfrentava alta rotatividade em um setor operacional, especialmente durante o período de experiência.  Nesse contexto, foi realizado o mapeamento do perfil comportamental e técnico das funções desse setor, o que tornou a seleção mais assertiva. Antes da intervenção, a rotatividade era de cerca de 57% no trimestre. Após as melhorias, esse índice caiu para aproximadamente 14%, representando uma redução de cerca de 75% nos desligamentos. Além disso, os colaboradores passaram a ter oportunidades reais de desenvolvimento, e participação em processos seletivos internos.


Na Alure, definimos DHO como a arte de conectar a cultura das pessoas à cultura das empresas. Não é sobre aplicar teorias bonitas, mas sobre gerar transformações reais que você pode ver, medir e sentir no dia a dia.



Os 5 Pilares do DHO para PMEs


Diferente das grandes organizações, que contam com estruturas complexas, as PMEs podem focar em cinco pilares essenciais [3]:


1. Plano de carreira simples e claro

Não precisa ser um documento de 50 páginas. Um plano de carreira para PME pode ser uma conversa honesta sobre onde a pessoa pode chegar e o que precisa desenvolver para isso, sempre baseado em uma metodologia transparente e aplicável a todos.


2. Treinamento e desenvolvimento acessível

Esqueça os cursos caros e inacessíveis. O desenvolvimento pode acontecer através de mentorias internas, troca de experiências entre equipes, ou até mesmo cursos online gratuitos com acompanhamento. O melhor treinamento é aquele que resolve um problema real da empresa. 


3. Gestão de competências na prática

Mapeie as competências que sua empresa precisa, identifique o que cada pessoa já possui e trabalhe para desenvolver o que falta. É como montar um quebra-cabeças: cada peça tem seu lugar e sua importância para o todo.


4. Cultura organizacional autêntica

Sua cultura organizacional não é o que está escrito na parede, é como as pessoas se comportam quando você não está olhando. Para nós, na Alure, a cultura se constrói no dia a dia: nas relações, nas conversas difíceis e nas pequenas decisões. Acreditamos que uma cultura forte nasce da humanização dos negócios, quando a coerência entre discurso e prática se tornam parte da rotina da empresa. 


5. Experiência do colaborador

Desde o primeiro dia até uma possível saída, como é a jornada de uma pessoa na sua empresa?  A experiência do colaborador é construída em cada momento: no onboarding, nas conversas com a liderança, nas oportunidades de crescimento, no reconhecimento e até nos desligamentos. Quando bem cuidada, essa experiência se transforma em engajamento e bons resultados.


Aplicar práticas de DHO não exige uma grande estrutura, exige intenção e alinhamento com a cultura da empresa. Se o objetivo é crescer com pessoas engajadas, dar os primeiros passos com base nesses pilares já é uma decisão estratégica.



Por que PMEs têm vantagem na implementação do DHO


Aqui está uma informação que poucos falam: pequenas e médias empresas têm vantagens para implementar DHO que as grandes organizações dificilmente conseguem replicar.


Proximidade e agilidade

Enquanto uma multinacional leva meses para aprovar uma mudança, uma PME pode implementar uma nova prática de desenvolvimento em poucos dias. A proximidade entre liderança e equipes permite decisões rápidas e ações mais alinhadas com a realidade do negócio.


Flexibilidade para testar

PMEs  têm mais liberdade para experimentar abordagens, ajustar processos e personalizar soluções sem depender de comitês ou estruturas burocráticas. Se algo não funciona, ajusta-se rapidamente.


Participação de todos

Quando todos participam da criação das soluções, a implementação acontece naturalmente, com menos resistência. Isso gera engajamento e senso de pertencimento.


Um exemplo prático vem de uma empresa de tecnologia com 40 colaboradores que, em apenas um ano, estruturamos a área de DHO e promovemos uma mudança cultural focada em resultados. Nesse período, o engajamento dos colaboradores nas práticas de desenvolvimento saltou de 51% para 100%, a eficiência das reuniões 1:1 aumentou de 5% para 37%, e o número de planos de desenvolvimento ativo cresceu de zero para 36, demonstrando como a agilidade e a proximidade comum das PMEs facilitam a implementação e o sucesso das iniciativas de DHO.



Como começar: O passo a passo prático


Agora vamos ao que interessa: como implementar DHO na sua PME sem complicação.


Passo 1: Diagnóstico simples


Antes de implementar qualquer coisa, você precisa entender onde está. Faça uma conversa individual de 30 minutos com cada colaborador. Pergunte sobre satisfação, desafios e aspirações.


Perguntas essenciais para o diagnóstico:


  • O que mais te motiva no trabalho?

  • Qual seu maior desafio atual?

  • Como você gostaria de crescer profissionalmente?

  • O que mudaria na empresa se pudesse?

  • Você sente que seu trabalho é reconhecido no dia a dia?

  • Em quais momentos você se sente mais motivado?

  • Há algo que te faria querer continuar aqui por muito tempo?

  • Que tipo de apoio ou desenvolvimento você sente falta hoje?


Passo 2: Definição de prioridades


Com base no diagnóstico, identifique os três principais pontos que precisam de atenção. Não tente resolver tudo de uma vez.


Foque nos problemas que mais impactam o dia a dia da equipe. Escolha uma vitória rápida (algo que pode ser resolvido em 30 dias), um projeto médio (90 dias) e um objetivo de longo prazo (6 meses).


Passo 3: Implementação gradual


Comece com uma prática simples, como reuniões semanais de feedback ou um programa de reconhecimento. Implemente, observe os resultados, ajuste se necessário. O importante é agir com consistência e observar os efeitos na prática.


Sugestões de primeiras ações:


  • Reuniões de feedback quinzenais

  • Programa de reconhecimento simples

  • Mapeamento de competências básico

  • Definição de metas individuais claras


Exemplos de metodologias aplicadas pela Alure em PMEs:


  • Roda de desenvolvimento: encontros que promovem conversas de qualidade entre liderança e colaborador, com foco em reflexões sobre trajetória, aprendizados recentes e metas futuras.


  • Radar de talentos: ferramenta de mapeamento para identificar forças, potenciais e necessidades de desenvolvimento, apoiando decisões mais estratégicas sobre o time.


  • Cultura de reconhecimento: ações práticas de valorização que podem ser aplicadas no dia a dia, como: cultura de feedbacks, celebrações e agradecimentos públicos. Sempre alinhadas à cultura da empresa.


  • PDI simplificado: modelo de Plano de Desenvolvimento Individual focado em três frentes: foco de crescimento, estratégia de desenvolvimento e forma de acompanhamento, co-construído por líder e colaborador. 


Ferramentas práticas e de baixo custo


Para aplicar as práticas de DHO não é preciso gastar uma fortuna. Aqui estão algumas sugestões de ferramentas práticas e eficazes que qualquer PME colocar em prática a partir de agora:


Comunicação

Implemente a regra dos "5 minutos semanais": cada colaborador tem 5 minutos para falar sobre seus desafios e conquistas da semana. É uma ação rápida, mas com alto impacto na escuta e alinhamento.


Desenvolvimento de competências

Institua a "Sexta do Conhecimento": toda sexta, um colaborador compartilha algo que aprendeu com o resto da equipe. Pode ser uma técnica, ferramenta, experiência ou insight comportamental.  Isso reforça a confiança e valoriza o conhecimento interno.


Planejamento de carreira

Inicie a rotina de conversas trimestrais de carreira: 30 minutos entre líder e colaborador para discutir progresso, desafios e próximos passos. Não é avaliação de desempenho, é um espaço para planejamento de futuro.


Na Alure, acreditamos que práticas de DHO só geram resultado quando fazem sentido para o contexto da empresa e das pessoas. Por isso, todas as metodologias e ferramentas que aplicamos são co-construídas com base na realidade de cada negócio, no perfil dos times e nos objetivos estratégicos de cada cliente.



Superando os desafios mais comuns


Toda mudança têm obstáculos e resistências. Acreditamos que é justamente no desconforto que a verdadeira melhoria acontece. Encarar as dificuldades como oportunidades para aprender e ajustar o caminho é muito importante para uma implementação eficiente do DHO.


"Não temos tempo para isso"

DHO não é mais uma tarefa na sua lista, é uma forma diferente de fazer o que você já faz. Em vez de dar feedback apenas quando há problemas, faça-o regularmente. Em vez de contratar sem critério, tenha um processo estruturado.


“Não temos dinheiro para investir"

Calcule quanto custa substituir um colaborador: recrutamento, treinamento, tempo até atingir produtividade plena. Investir em DHO é mais barato do que lidar com rotatividade e retrabalhos.


"Minha equipe não vai aderir"

Comece perguntando o que eles querem, não impondo o que você acha que precisam. Quando as pessoas participam da construção da solução, a adesão acontece naturalmente.


Cada empresa tem sua própria realidade e desafios, mas o que une todas elas é a possibilidade real de transformação quando há vontade de aprender e adaptar. Na prática, a implementação do DHO é um processo contínuo de testes e ajustes. Com diálogo aberto, escuta ativa e colaboração, as resistências diminuem e os resultados aparecem.


A pergunta não é se sua PME precisa de DHO, mas se você está disposto a investir no que realmente faz a diferença: as pessoas. Em um mercado cada vez mais competitivo, empresas que cuidam bem de seus colaboradores conquistam uma vantagem sustentável.


O DHO não é um objetivo final, é uma jornada. E como toda jornada, começa com o primeiro passo. Que tal dar esse passo hoje?


Entre em contato e descubra como podemos ajudar sua PME a crescer com pessoas motivadas e engajadas.



Sobre a autora


Gabrieli é Psicóloga Organizacional e consultora de DHO, com experiência em transformar práticas de gestão de pessoas em resultados reais. Atualmente, atua na Alure Consultoria, onde apoia organizações a implementarem soluções práticas, acessíveis e alinhadas aos seus objetivos estratégicos, promovendo ambientes de trabalho mais saudáveis e produtivos. Com foco em resultados e proximidade, Gabi acredita que o desenvolvimento humano é o principal diferencial competitivo para o crescimento sustentável das PMEs.



Referências

[1] SEBRAE. Pequenos negócios em números. Disponível em: <https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/ufs/sp/sebraeaz/pequenos-negocios-em-numeros,12e8794363447510VgnVCM1000004c00210aRCRD>. Acesso em: 20 jun. 2025.


[2] GOMES, André Luiz. Recorde histórico! Mais de 4,15 milhões de pequenos negócios foram abertos em 2024. Agência Sebrae de Notícias, 14 jan. 2025. Disponível em: <https://agenciasebrae.com.br/economia-e-politica/recorde-historico-mais-de-415-milhoes-de-pequenos-negocios-foram-abertos-em-2024/>. Acesso em: 20 jun. 2025.


[3] BASTOS, Athena. Quais são os pilares do DHO e qual sua importância para as empresas? Alura para Empresas, 14 dez. 2022. Disponível em: <https://www.alura.com.br/empresas/artigos/dho>. Acesso em: 01 jul. 2025.


[4] ECOSOCIAL. O Desenvolvimento Organizacional em pequenas e médias empresas. Disponível em: <https://ecosocial.com.br/o-desenvolvimento-organizacional-em-pequenas-e-medias-empresas/>. Acesso em: 01 jul. 2025.

 
 
 

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